Raminhos: “O meu público fiel? Os bêbados!”

 

Em exclusivo à Karga!, António Raminhos revela preferir o stand-up e estar a investir cada vez mais no YouTube, onde vai estrear a nova temporada de A Banheira das Vaidades.

É um dos maiores humoristas portugueses da atualidade e faz do stand-up a sua maior vocação. António Raminhos correu o país com o seu mais recente espetáculo, As Marias, e prepara-se para estrear uma nova temporada de A Banheira das Vaidades, em pleno YouTube. Sem tempo para escrever coisas novas, o humorista divide-se entre a rádio, a TV e os espetáculos ao vivo. E é aí que o público melhor reage à sua performance.

 

Karga! – Como está a tua carreira? Que projetos novos tens para breve? E o que gostarias mesmo de fazer um dia mais tarde?

 

Raminhos– A minha carreira está porreira, acho! E eu também! Continuo com os espetáculos, tenho um novo stand-up a começar, e invisto cada vez mais no YouTube, onde vai estrear a nova temporada de A Banheira das Vaidades. O que quero fazer depois logo se vê. Vivo muito o dia-a-dia nesse sentido. Vou tendo ideias, umas conseguimos… Outras nem por isso…

 

Karga! – Preferes TV, rádio ou atuar ao vivo, em regime de stand-up? Porquê?

 

Raminhos– Não sei muito bem. Cada área tem as suas valências. O stand-up para mim é a base mas depois também não tenho muito tempo para escrever coisas novas por causa dos projetos de rádio e TV. A rádio é o que chega mais perto das pessoas mas também o mais desgastante… O melhor mesmo era ter nascido rico!

 

Karga! – Sentes que tens um público muito fiel ou há malta nova que te surpreende?

 

Raminhos– O que sinto é que sou muito transversal. Eu digo muita m*rda mas depois tenho senhoras mais velhinhas a dizer que gostam muito! E depois há os outros pequenos que também gostam dos vídeos. Mas o público que sempre foi mais fiel foram os bêbedos.

“Eu digo muita m*rda mas depois tenho senhoras mais velhinhas a dizer que gostam muito!”

Karga! – Por falar em malta nova, a geração mais recente é mais bem-humorada ou mais sisuda do que a dos anos 80? Porque achas que isso acontece, é do McDonald’s?

 

Raminhos– Acho que há é uma grande corrente de malta que gosta de humor negro. Mas muitas vezes nem é negro, é só falarem de cancro e eles “ah pah, muita bom! Este gajo é o maior.” Nos anos 80, talvez por influência do Jerry Lewis, do Mel Brooks, Monthy Python, Herman..

 

Karga! – Por vezes, fazes verdadeiras loucuras que deixam o público incrédulo. Quais foram as reações mais inéditas que tiveste das pessoas que assistiam aos teus espetáculos?

 

Raminhos– Nos espetáculos ao vivo é mais tranquilo, muitas vezes o que ouço mais é o “ahhh Jesus”, “ohhhh meu Deus”, “comia-te todo”… Uma destas é mentira.

 

Karga! – E quando te abordam na rua, o que te perguntam? Já tiveste alguma ou algum fã com propostas indecentes?

 

Raminhos– Já tive, mais ou menos, mas lá está… estavam bêbedos não sei se conta como válido. Uma vez uma rapariga vem ter comigo e diz ao ouvido: “sonhei que estava a f*der contigo” e eu “ahhhhh boa… então pronto!”

 

Karga! – O que dizem as tuas filhas quando assistem ou ouvem os teus programas? És tema de conversa nas reuniões de pais?

 

Raminhos– Reuniões de pais, sempre tranquilo. Os colegas delas é que vêm sempre perguntar coisas sobre os vídeos que viram na Net, e aí sim os pais olham de lado! Porque os putos põem-se a ver coisas que não devem!

 

Karga! – Com quem preferes contracenar, quem é o teu Robin?

 

Raminhos– Cá… o Herman… Lá fora, Conan O’Brien!

 

Karga! – O que era engraçado há 20 anos continua a ser ou o humor mudou de tom? Sentes que houve um 25 de Abril no humor português, com a entrada em cena dos comediantes da tua geração?

 

Raminhos– Há coisas que vejo agora e que continuam a ser muito boas e outras que penso “como é que achámos piada a isto”?! Mas isso é porque o humor também evolui no sentido de que há tipos de rábulas que eram novidade e agora já não são. Mas continuo a adorar Jerry Lewis e todos os filmes do Mel Brooks. Há obras que ficam para sempre, mesmo de stand-up e livros.

 

Karga! – E há malta nova a fazer rir com piada: no YouTube, em Web TVs? Já tens algum benjamim?

 

Raminhos– Esses é matá-los a todos, para não haver concorrência!

 

 

Fazer rir é vocação

 

Nascido no já longínquo ano de 1980, António Raminhos é um dos mais cotados humoristas nacionais e paciente pai de três filhas, todas com o primeiro nome Maria. Passou pelo jornalismo, tendo trabalhado na saudosa A Capital e na RTP1. No entanto, a sua vocação era bem diferente: fazer rir!

Conhecido por sofrer de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), o que leva o comediante a repetir vezes sem conta gestos totalmente inúteis, António Raminhos adora stand-up comedy, sobretudo atuar em bares onde fica a aturar os bêbados ao final da noite. O humorista tem ainda uma crónica mensal na revista Maxmen e participações em programas nos canais de televisão SIC, RTP e BTV.

O seu objetivo na vida é que façam um filme sobre a sua existência, em que o personagem principal seja o mago Harry Potter ou o veterano ator de filmes de ação, Sylvester Stallone.

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