Leonor Gracias: ““Quero respeito pelo Cosplay!””

 

É presidente da associação que junta os cosplayers portugueses e uma das mais elogiadas praticantes desta arte nova. Atenta, reclama estatuto cultural para quem se transforma em heroína e guerreiro, para prazer próprio e dos outros

 

Leonor, fundadora e presidente da Associação Nacional da Arte do Cosplay (ANAC), mais conhecida por Associação de Cosplay, fez uma pausa no seu treino intensivo de Assassin’s Creed para ficar à conversa com a Karga! A muito reconhecida e premiada cosplayer é uma adepta de gaming, embora prefira ver do que jogar, porque é “muito desajeitada com o comando”, confessa entre sorrisos.

Mas o jeito que diz ter a menos para os jogos, tem que sobra para o cosplay. Com mais de 50 prémios, Leonor foi a primeira representante portuguesa a participar no World Cosplay Summit, no Japão, um dos concursos mundiais de cosplay mais prestigiados.

Agora, enquanto presidente da Associação que fundou há quase um ano, a jovem barreirense vê-se obrigada a deixar os fatos no armário mais tempo do que gostaria: “A ANAC leva-me muito tempo. Há muito trabalho administrativo que é invisível para a grande maioria das pessoas, mas essencial. Tenho deixado a minha vida como cosplayer mais de lado por isso”.

Após a dissolução da APC (Associação Portuguesa de Cosplay), Leonor, que era vice-presidente nesta ex-associação, decidiu criar a Associação de Cosplay, crendo que a comunidade cosplayer necessitasse de um organismo que a representasse e que reunisse esforços para “dar a esta arte [o cosplay], que ainda não é reconhecida como tal, o respeito que ela merece”, afirma.

Embora orgulhosa do autodidatismo característico dos “artistas” que representa, Leonor reconhece que o problema das pessoas não levarem o cosplay mais a sério, começa na própria comunidade. Para a dirigente da ANAC, a atividade só não é mais valorizada porque os seus membros a desvalorizam ao encará-la como uma brincadeira: “Sim, o cosplay é também uma diversão para nós, mas, independentemente disso, há trabalho! Como tal, as pessoas devem exigir ser devidamente recompensadas. Enquanto isto não acontecer o cosplay não evolui e não aproveita o facto do mercado estar a crescer”.

Internacionalmente, a aposta nestes artistas tem sido imensa mas o mesmo não se sucede em Portugal por dois motivos, que Leonor nos revela: “As marcas ainda pensam que somos apenas miúdos sem qualquer profissionalismo e parece que, por cá, a única coisa que envolve jovens e vende é o álcool. As empresas ainda receiam muito as novas ideias não creditadas pelo governo, temos uma mentalidade ainda um pouco retrógrada”.

Os objetivos

Divulgar o cosplay junto do público mainstream, articular as relações entre os cosplayers e as marcas, ajudar todos os membros da comunidade enquanto artistas independentes a vingar no mundo da “realidade fantástica” e voltar a dar a esta atividade um cariz mais familiar. Estes são os objetivos a curto prazo para os quais a ANAC tem trabalhado.

“O cosplay tem a capacidade de juntar gerações”, diz Leonor. Por entre referências a filmes, animes ou jogos que muito dizem a netos, pais e avós, este pode ser um hobbie importante para fortalecer a relação da família. Leonor Grácias é prova disso. A sua avó ensinou-a a costurar para que ela pudesse fazer os seus próprios fatos. O seu pai sempre a apoiou nesta paixão pelo cosplay e é hoje o presidente da Mesa da Assembleia da Associação que a filha fundou. “Não é à toa que os cosplayers de maior sucesso têm o apoio da família. Hoje em dia, os miúdos estão muito mais sozinhos nesta atividade, o que reflete um pouco o estado em que a sociedade está, com os pais mais longe dos filhos”, lamenta a musa do cosplay.

karga Written by:

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