Narcos T.3 | 6 cenas que não aconteceram como na realidade

Há pouco mais de uma semana, o verdadeiro Jorge Salcedo deu uma entrevista ao Entertainment Weekly (EW). Na conversa, o homem que foi chefe de segurança de Miguel Rodriguez, “lorde de droga”, falou um pouco da veracidade de “Narcos”. Nós lemos o exclusivo da EW e confrontámo-lo com um par de outras informações. Assim, encontrámos seis cenas que não aconteceram como na realidade.

Aviso: este artigo contém spoils da terceira temporada de “Narcos”.

“Quem conta um conto acrescenta um ponto”, um provérbio português cheio de sabedoria. No caso, pode aplicar-se na perfeição já que Narcos é uma série baseada em factos verídicos. Isto significa que a adaptação ao ecrã da realidade sofre sempre algumas alterações. E assim confirma o verdadeiro Jorge Salcedo:

“A história, no geral, corresponde à verdade. Contudo, há coisas que eles me colocam a fazer na série e que, na realidade, eu não as fiz. Mas eu sei que isso é sempre passível de acontecer nestas produções, para dar mais dinâmica e fazer com que ninguém perca a atenção”

Neste momento, Salcedo encontra-se sob proteção de testemunha nos Estados Unidos e faz a sua vida normal sob um nome falso. Ao que a EW apurou, os produtores de Narcos também mantiveram conversações com ele, para saberem melhor os detalhes de toda a história e fazer uma terceira temporada o mais fiel à realidade possível.

Narcos Salcedo
Jorge Salcedo (a preto e branco), numa das poucas fotografias disponíveis do próprio. 
Imagem – “The Seattle Times”

Divididas em três níveis, enfim apresentamos as seis cenas de “Narcos” desajustadas à realidade.

Quase igual.

1. O desmembramento. Há um episódio em que o Cali Cartel desmembra o corpo de um homem ao prendê-lo a duas motas – Harleys. O verdadeiro Salcedo revelou que não foram utilizadas motas, mas sim jipes – Land Cruiser.

2. Salcedo é levado para uma emboscada. Disseram-lhe que ia conhecer Miguel Rodriguez, o seu patrão, nos característicos “laboratórios” e acabou por ser uma farsa, onde houve execuções.  Salcedo, “o verdadeiro”, confirma que isto aconteceu e que foi um momento de enorme tensão. A diferença é que ele não foi levado para um “laboratório”, mas sim para uma quinta luxuosa.

Safa-se.

3. Miguel e o sufoco. Quando Miguel descobre a careca a Salcedo, na série ele tenta matá-lo ao sufocá-lo com um saco de plástico. Na verdade isto nunca aconteceu, embora Miguel estivesse mesmo desconfiado… e não fosse um feliz acaso, Salcedo poderia muito bem ter sido morto dessa forma por Miguel. “O verdadeiro” conta que ele ficou de fora de uma reunião, porque a coisa estava preta para os seus lados. De repente a polícia cercou o edifício onde a reunião teve lugar e, para escapar, Miguel precisou da ajuda de Salcedo, que estava do lado de fora e, por isso, conseguiu orientar a fuga. Acabou por correr tudo bem e Salcedo voltou a ganhar a confiança de Miguel.

Estás a ver o Shrek? Nada a ver!

4. Foi em auto-defesa, se bem que não foi. Na série, vemos o personagem Salcedo a matar Navegante, em auto-defesa. Nas palavras de Salcedo, “o verdadeiro”, isso não aconteceu: “Não, na realidade eu nunca o matei. É das tais coisas… Eu acho que foram os homens do Combate às Drogas (DEA)”.

5. David é William, o mais velho e não único. No início da série, os produtores avisam: “alguns nomes de pessoas e locais foram alterados para defesa dos próprios”. Foi o caso do filho mais velho de Miguel Rodriguez, que na realidade se chama William e na série se chama David. David é filho único, uma pessoa mimada e com tendências psicopatas carentes de qualquer tipo de noção do bem e do mal. Ao passo que William tinha mais irmãos e não era, de longe, a pessoa que a série faz parecer. Isto conta Salcedo ao EW, adiantando até que tinha uma relação de confiança com William, algo totalmente diferente com David na série.

6. David (William) não morreu. Não sabemos ainda se é facto consumado ou não na série, mas podemos garantir que, fora do ecrã, William Rodriguez não morreu. Até porque o próprio viveu para escrever o livro “Sou o filho do Cartel de Cali”, em 2014.

Narcos Livro Cartel
“Estava cansado que outras pessoas contassem a minha história”, disse William, revelando o motivo pelo qual escreveu o livro.

 

Francisco Esteves Written by:

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