EXCLUSIVO – Artistas preveem concerto A História do Hip-Hop Tuga!

É já amanhã que regressa ao Ericeira Camping o festival Sumol Summer Fest. A sua nona edição vai ficar marcada pelo espetáculo A História do Hip-Hop Tuga, que vai reunir em palco os pioneiros e a nova geração do hip-hop nacional. Está marcado para as 23:00h.

Por este grande concerto vão passar nomes como Sam the Kid, Dealema, Chullage, Capicua, Allen Halloween, Dengaz, NGA, Dillaz, Grognation, Holly Hood, Mind da Gap, Bob the Rage Sense, Sir Scratch, NBC e Tekilla. A KARGA! foi até ao estúdio Kambas conversar com os últimos três artistas e com Sensi, o músico e produtor por detrás da organização deste espetáculo único para todos os amantes do género e que atua no SSF no dia um de julho.

KARGA! – O que é que os festivaleiros podem esperar deste concerto?

Sensi – Isto vai ser uma coisa em grande, uma mega produção, à americana. Algo bem montado com um espetáculo de audiovisual, luzes e uma boa comunicação. A base disto não é tirar partido do nome individual de um artista mas sim da história. Vai ser um concerto que mostra mais de 20 anos deste género, com as músicas mais icónicas. A malta vai cantar do início ao fim.

Tekilla – Este concerto serve para as pessoas terem uma noção da evolução do hip-hop. Isto não começou agora, creio que já estamos na terceira geração. Eu sou um dos artistas da segunda, embora tenha apanhado o final da primeira. Agora continuo com a terceira.

NBC – É verdade que as pessoas já sabem o que é o hip-hop nacional, mas poder contar a história é muito importante e interessante. Haver essa abertura é muito bom. Nunca vi pessoal do rock ou outras áreas a fazer isso. Mas isso tem a ver com o que o hip-hop e o pessoal deste estilo sempre foi.

Sir Scratch – Podem esperar um resumo e uma celebração da história do hip-hop.

KARGA! – O tempo que têm chega para contar mais de 20 anos de hip-hop?

Sensi – Não! Nós temos duas horas de concerto… É ingrato estarmos a fazer uma seleção dos artistas, mas arranjámos forma de o espetáculo representar bem a nossa história.

Tekilla – Não, precisariamos de um dia inteiro. Há nomes que deveriam fazer parte deste cartaz, mas que se calhar já desapareceram, já não vivem cá ou que já não estão ligados á música. Algumas já não vêem o hip-hop como prioridade, mas sim como hobbie.

KARGA! – Hoje, é mais fácil viver do hip-hop?

Tekilla – Há artistas que já vivem apenas disso, vários. Felizmente houve uma adesão em massa, hoje somos o novo pop e as pessoas começam a olhar de uma forma mais aceitável. Eu não vivo só do hip-hop, também trabalho em gestão de marketing e dou consultoria de branding, entre outras coisas.

NBC – Eu sou um deles. Alguns não conseguem. Mas também há artistas ou bandas de outros estilos que não vivem só da música, que trabalham noutros lados.

Sensi – Eu também. Há 20 anos atrás o hip-hop era um hobbie, não estavas à espera de viver daquilo. As oportunidades eram diferentes. A malta do hip-hop tinha umas e a do rock outras. A cultura estava mais aberta ao rock. Mas agora já dá para viver do hip-hop.

KARGA! – Os mais novos sabem quem são os pioneiros do hip-hop tuga?

Tekilla –  Não é preciso ires tão longe, eles já não sabem quem é que estava lá há dez anos. E se calhar nem há cinco anos.

Sensi – Os miúdos agora dão 10 milhões a um ou outro artista, mas não sabem quem é que há 24 anos estava a abrir as portas.

KARGA! – É por isso que este concerto é muito importante?

Sir Scratch – Sim, mas também para as pessoas saberem que às vezes existe uma ligação entre os artistas. Cada vez mais o hip-hop não é mostrado como uma cultura, mas sim como individualismo e, infelizmente, a malta não sabe que os artistas dão-se uns com os outros.

Tekilla – Eu acho que também é uma hipótese de as pesoas terem a noção e credibilizarem artistas que não fazem parte da nova geração. Porque muitas vezes dão credibilidade só aos novos, como se os outros fossem panos do chão velhos. Houve uma geração que abriu caminho para que esta nova triunfe.

KARGA! – E há uma grande diferença entre essas gerações?

NBC – Claro, o conteúdo é diferente! Tem a ver com o que já viveste, como, quando e com que influências. As coisas mudaram. Nós fomos influenciados por rappers americanos, eles não. Foram influenciados por Sam The kid e Valete, entre outros. A diferença é esta.

Tekilla – Concordo, mas não é só. Eles acham que o hip-hop tuga foi inventado pelo hip-hop tuga. E o hip-hop tuga não existe. Foi simplesmente a língua portuguesa adaptada em beats inspirada no hip-hop americano.

KARGA! – As plataformas digitais vieram influenciar o hip-hop?

Tekilla – A indústria mudou muito. Os media e as redes sociais acabam por definir o estatuto do artista, mesmo que entre nós um certo rapper não tenha tanta credibilidade…

Sir Scratch – Eu acho que hoje são mais os fãs do que os media. Hoje o miúdo aqui de cima mete o som no youtube, vamos ver amanhã e se calhar já é o mais conhecido, já tem mais de 100 mil visualizações.

Sensi – A procura também mudou. Agora nós vemos o que queremos ver. Não vemos o que os media querem. As plataformas digitais vieram marcar essa diferença.

KARGA! – O hip-hop tuga está cada vez melhor?

Tekilla – Claro, senão não estarias aqui a fazer esta entrevista, não haveria este concerto. Muitos andaram a bater em várias portas para lançar álbuns, para ouvirem as suas músicas na rádio. Agora já não é assim, houve uma inversão, agora já andam atrás dos artistas.

Sensi – O hip-hop é muito grande porque é uma cultura de retalhos, de reciclagem. Toca a tantas pessoas, porque toca em muitos estilos diferentes, desde o reggae ao pop. Cada vez mais vês rappers nos festivais, nos eventos grandes, na televisão. Isso prova que a malta está a perceber que o hip-hop é forte e que se não se juntarem, vão ficar para trás.

Fica a conhecer os horários do tão aguardado festival aqui!

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